

1 de Agosto, 2026 · Belgrade Arena, Belgrado, Sérvia

Rakić
14-6-0
#13 Meio-Pesado (sem ranking no peso pesado)Viena, Áustria | 34 anos

Tybura
27-11-0
#12 Peso PesadoUniejów, Polônia | 40 anos
O Recomeço Que Ele Escolheu
Cinco anos sem vencer, sete sem nocautear e o primeiro campo de treinamento da vida sem cortar peso. Rakić volta pra casa na primeira vez que o UFC pisa na Sérvia.
O PARADOXO
O Único Que Ainda Apaga Vem Perdendo
Aleksandar Rakić não levanta a mão desde 6 de março de 2021. São quatro derrotas seguidas, a primeira sequência ruim de uma carreira inteira, e a última foi a pior de todas: Azamat Murzakanov acertou uma direita curta na entrada, aos 3:11 do primeiro round do UFC 321, e acabou. Só que a lista de quem bateu nele nesse período é curta e pesadíssima. Jan Blachowicz, Jiří Procházka, Magomed Ankalaev e um invicto que saiu de lá em 16-0. Os três primeiros já tiveram o cinturão do meio-pesado na estante. E a derrota para o Blachowicz nem foi de queixo: foi o joelho que cedeu sozinho no terceiro round e custou 23 meses parado. Agora o paradoxo. Mesmo em 0-4, mesmo aos 34 anos, mesmo estreando numa categoria em que nunca pisou, o Rakić continua sendo o único dos dois homens que apaga alguém. Ele derruba 0,51 vez a cada 15 minutos de luta. Marcin Tybura derruba 0,06. Isso não é diferença de estilo, é diferença de natureza. Do outro lado do octógono está um polonês de 40 anos, número 12 do ranking, faixa-preta de jiu-jitsu e ex-campeão do M-1, com seis derrotas por golpe no cartel. Três dessas seis foram paradas de primeiro round em menos de 2:05: Augusto Sakai aos 0:59, Tom Aspinall aos 1:13, Ante Delija aos 2:03. As outras três vieram mais tarde, com Shamil Abdurakhimov no segundo round e Derrick Lewis e Stephan Puetz no terceiro. A receita é sempre a mesma, alguém acertando limpo, e o relógio não protege o polonês em nenhum momento dos quinze minutos. O plano do Tybura contra isso é conhecido e legítimo: encurtar a distância, prender na grade, cobrar o peso e ganhar no acúmulo. Ele fez exatamente isso contra Alexandr Romanov e Ben Rothwell, e em março de 2024 aguentou o começo do Tai Tuivasa antes de levar pro chão e finalizar. O problema é que a porta de entrada é estreita: o Rakić defende 86% das quedas segundo o ufc.com, o melhor número da carreira dele. Já a precisão de queda do polonês depende de onde você olha, 16% no ufc.com e 33% no UFCStats, então ela não sustenta tese nenhuma sozinha. E é justo lembrar que esses 86% foram construídos nos 205 libras, contra homens que pesavam uns 23 quilos a menos do que o Tybura pesa. Essa é a rachadura real na tese, e ela é grande o bastante pra deixar essa luta longe de garantida.
Aleksandar Rakić não levanta a mão desde 6 de março de 2021. São quatro derrotas seguidas, a primeira sequência ruim de uma carreira inteira, e a última foi a pior de todas: Azamat Murzakanov acertou uma direita curta na entrada, aos 3:11 do primeiro round do UFC 321, e acabou. Só que a lista de quem bateu nele nesse período é curta e pesadíssima. Jan Blachowicz, Jiří Procházka, Magomed Ankalaev e um invicto que saiu de lá em 16-0. Os três primeiros já tiveram o cinturão do meio-pesado na estante. E a derrota para o Blachowicz nem foi de queixo: foi o joelho que cedeu sozinho no terceiro round e custou 23 meses parado. Agora o paradoxo. Mesmo em 0-4, mesmo aos 34 anos, mesmo estreando numa categoria em que nunca pisou, o Rakić continua sendo o único dos dois homens que apaga alguém. Ele derruba 0,51 vez a cada 15 minutos de luta. Marcin Tybura derruba 0,06. Isso não é diferença de estilo, é diferença de natureza. Do outro lado do octógono está um polonês de 40 anos, número 12 do ranking, faixa-preta de jiu-jitsu e ex-campeão do M-1, com seis derrotas por golpe no cartel. Três dessas seis foram paradas de primeiro round em menos de 2:05: Augusto Sakai aos 0:59, Tom Aspinall aos 1:13, Ante Delija aos 2:03. As outras três vieram mais tarde, com Shamil Abdurakhimov no segundo round e Derrick Lewis e Stephan Puetz no terceiro. A receita é sempre a mesma, alguém acertando limpo, e o relógio não protege o polonês em nenhum momento dos quinze minutos. O plano do Tybura contra isso é conhecido e legítimo: encurtar a distância, prender na grade, cobrar o peso e ganhar no acúmulo. Ele fez exatamente isso contra Alexandr Romanov e Ben Rothwell, e em março de 2024 aguentou o começo do Tai Tuivasa antes de levar pro chão e finalizar. O problema é que a porta de entrada é estreita: o Rakić defende 86% das quedas segundo o ufc.com, o melhor número da carreira dele. Já a precisão de queda do polonês depende de onde você olha, 16% no ufc.com e 33% no UFCStats, então ela não sustenta tese nenhuma sozinha. E é justo lembrar que esses 86% foram construídos nos 205 libras, contra homens que pesavam uns 23 quilos a menos do que o Tybura pesa. Essa é a rachadura real na tese, e ela é grande o bastante pra deixar essa luta longe de garantida.
Verdade A
Rakić é quem chega no pior momento: quatro derrotas seguidas, cinco anos sem vencer, sete sem nocautear alguém e o queixo testado duas vezes de forma legítima nas últimas cinco lutas.
Verdade B
Só que ele perdeu para Blachowicz, Procházka, Ankalaev e para o Murzakanov, que naquela noite ainda estava invicto em 16-0 e só foi perder em abril de 2026, para o Paulo Costa. A derrota mais recente do Tybura foi para um estreante de UFC que aceitou a luta com duas semanas de aviso.
Tale of the Tape
Seis anos de diferença, e o polonês soma 38 lutas profissionais contra 20
Praticamente iguais, segundo o ufc.com
Envergadura idêntica, coisa rara: ninguém tem vantagem de alcance aqui
A conta que ninguém consegue fazer antes da balança. O ufc.com lista 256 libras para o polonês e o UFCStats lista 249, então pela conta do ufc.com são uns 23 quilos de diferença
O polonês tem mais que o dobro de experiência dentro do octógono
Momento Atual
Aleksandar Rakić
UFC 321, contra um invicto que saiu de lá em 16-0. Murzakanov acertou uma direita curta na entrada aos 3:11 do primeiro round e o Rakić não levantou.
KO R1UFC 308. Foi aos três rounds inteiros com quem viraria campeão meses depois e perdeu na decisão unânime. A única das quatro derrotas em que ele chegou ao fim de pé.
Decisão UnânimeUFC 300, a volta ao octógono depois de 23 meses parado por causa do joelho. Procházka resolveu no soco aos 3:17 do segundo round.
TKO R2Luta principal no UFC Apex, em Las Vegas. O joelho do Rakić cedeu sozinho no terceiro round e ele não conseguiu continuar. Parada técnica, não derrota de queixo, e o começo do buraco.
TKO R3UFC 259. A última vez que ele venceu. Decisão unânime sobre um ex-desafiante ao cinturão, na base da distância e do low kick.
Decisão UnânimeQuatro derrotas seguidas e nenhuma vitória desde março de 2021, mas o calibre de quem venceu ele explica boa parte do estrago: Blachowicz, Procházka, Ankalaev e Murzakanov. A do Blachowicz foi joelho estourado no terceiro round, não nocaute, e custou 23 meses de inatividade. Quando voltou, o UFC não deu desconto: Procházka no UFC 300, Ankalaev no UFC 308 e Murzakanov no UFC 321. É queda livre no resultado, mas é queda livre no andar mais alto da divisão. Agora ele sobe de categoria pela primeira vez em vinte lutas profissionais, larga o corte que o esvaziava desde sempre e luta com Belgrado do lado dele. É reset de carreira, com tudo o que isso tem de bom e de assustador.
Marcin Tybura
Seattle. Perdeu por 30-27, 29-28 e 29-28 para um estreante de UFC que aceitou com duas semanas de aviso. O anunciador leu os cartões trocados e o Fortune precisou ser chamado de volta ao octógono.
Decisão UnânimeParis. Delija veio pra cima desde o gongo, o Tybura tentou uma queda funda na grade e não completou. De volta ao espaço aberto tomou uma esquerda limpa e a sequência que veio atrás dela, parada no soco aos 2:03. Era a estreia do croata no UFC, dez anos depois de perder para ele no M-1.
TKO R1Londres. Decisão unânime apertada sobre o então invicto Parkin, hoje o número 15. Foi parelha até no papel: 61 golpes significativos contra 60.
Decisão UnânimeUFC 309, no Madison Square Garden. Castigou o brasileiro por dois rounds e o médico encerrou no intervalo. Vitória de acúmulo, não de impacto.
TKO R2Luta principal e revanche que dava nome ao card. Spivac encaixou a chave de braço aos 1:44 do primeiro round, a única finalização que o Tybura sofreu em 38 lutas profissionais.
Sub R1Duas derrotas seguidas, mas 2-3 nas últimas cinco, o que é bem diferente do desastre que muita gente descreve. A de março é a que dói: perdeu na decisão unânime em Seattle para Tyrell Fortune, que estava estreando no UFC com duas semanas de aviso e desde então já apareceu no top 10. Antes disso, Ante Delija, o mesmo homem que quebrou a própria perna lutando contra ele em 2015 pelo cinturão do M-1, voltou dez anos depois e resolveu no soco aos 2:03 do primeiro round, com uma esquerda limpa e a sequência atrás dela. No meio das derrotas ainda tem coisa boa e recente: bateu Mick Parkin, hoje o número 15, e parou Jhonata Diniz no UFC 309. Aos 40 anos e com 38 lutas profissionais, o padrão é claro. Quem acerta limpo resolve, e não precisa ser logo no começo: três das seis paradas por golpe vieram no segundo ou no terceiro round. Quem nunca acerta limpo enfrenta três rounds de trabalho sujo.
Nivel de Competicao
Nenhum oponente em comum em 58 lutas profissionais somadas, e nem poderia haver: o Rakić passou vinte lutas no meio-pesado e o Tybura nunca saiu do peso pesado. O que dá pra comparar é o calibre de quem apareceu na frente de cada um. O Rakić perdeu quatro seguidas, mas perdeu para Blachowicz, Procházka, Ankalaev e Murzakanov, ou seja, três homens que já tiveram o cinturão do meio-pesado e o Murzakanov, invicto até aquela noite e hoje número 8 do meio-pesado com 16-1, depois de ser nocauteado pelo Paulo Costa em abril. A vitória mais valiosa dele é a decisão sobre Thiago Santos, então top 5 e ex-desafiante ao título, em março de 2021. O Tybura tem o inverso: 24 lutas de UFC e presença no ranking há anos, mas a lista de vitórias é feita de nomes que nunca chegaram ao topo, e contra os melhores que enfrentou ele perdeu sempre. Contra top 5 ele é 0-3: Fabrício Werdum, então número 4, tirou uma decisão dele na luta principal de novembro de 2017, Alexander Volkov, então número 5, venceu na decisão no UFC 267, e Tom Aspinall, também número 5, resolveu em 1:13 no UFC Londres de 2023. As últimas cinco lutas dele foram contra Spivac, Diniz, Parkin, Delija e Fortune, e quatro deles estavam sem ranking ou estreando no UFC. A sequência do austríaco é pior no papel. O calibre dele é bem melhor.
Comparacao Estatistica
Sig. Strikes por Minuto
Rakić produz mais e acerta mais, mesmo com menos da metade das lutas de octógono
Precisão de Strikes (%)
Knockdowns por 15 Min
O número que separa os dois: oito vezes mais chance de derrubar alguém
Strikes Absorvidos/Min
Os dois absorvem bastante, e os dois já foram parados no primeiro round
Defesa de Strikes (%)
Takedowns por 15 Min
Tybura tenta o dobro de quedas, mas tenta com pouca eficiência
Precisão de Takedown (%)
Números do ufc.com. Para o Tybura, o UFCStats registra outra coisa, 33%, então essa linha sozinha não sustenta tese nenhuma
Defesa de Takedown (%)
O número que decide a luta: 86% no ufc.com. A ressalva é que esses 86% foram construídos nos 205 libras, contra homens uns 23 quilos mais leves que o Tybura
Rakić lidera em 5 categorias · Tybura lidera em 3
Distribuicao de Vitorias e Derrotas
Vitorias
KO/TKO
Submissao
Decisao
Rakić é o finalizador de verdade: 9 nocautes em 14 vitórias, 64% do total, com sete deles terminados ainda no primeiro round. A ressalva honesta é que o último nocaute dele foi no Jimi Manuwa, em junho de 2019, sete anos atrás. Depois disso vieram duas decisões e cinco derrotas. O Tybura tem o cardápio mais completo, com 10 nocautes, 7 finalizações e 10 decisões, quase um terço para cada lado, que é a assinatura de um veterano que aprendeu a vencer de todo jeito. Só que o recorte do UFC muda a leitura: das 14 vitórias dele no octógono, uma única veio por finalização, o mata-leão no Tuivasa em 2024, e várias das paradas foram acúmulo ou interrupção médica, como a do Diniz no UFC 309. Traduzindo pro método: o austríaco precisa de uma janela de cinco segundos, o polonês precisa de quinze minutos.
Derrotas
KO/TKO
Submissao
Decisao
É aqui que a luta fica clara. Das 11 derrotas do Tybura, 6 vieram no soco, 55%, e todas têm o mesmo endereço: alguém acertando limpo. Metade delas foi rápida: Sakai aos 0:59, Aspinall aos 1:13 e Delija aos 2:03, as três no primeiro round e em campo aberto. A outra metade veio tarde, e é a parte que costuma ser esquecida: Shamil Abdurakhimov parou ele aos 3:15 do segundo round em abril de 2019, Derrick Lewis aos 2:48 do terceiro em fevereiro de 2018, e Stephan Puetz venceu por parada médica aos 3:48 do terceiro no M-1, em maio de 2015. É justo dizer que só uma das seis é recente, a do Delija em setembro de 2025, e que a do Aspinall já está sete lutas pra trás. Também é justo dizer que ele só foi finalizado uma vez em 38 lutas profissionais, a chave de braço do Spivac em 2024. Ou seja: quem vence o Tybura vence no impacto, e a janela não fecha quando o primeiro round acaba. Do outro lado, as 3 paradas no cartel do Rakić pedem contexto. A do Blachowicz é contabilidade: o que cedeu foi o joelho, não o queixo. As duas legítimas vieram de Procházka e Murzakanov, um ex-campeão e um homem que estava invicto na época, e vieram nas últimas três lutas. Esse é o dado que impede qualquer convicção alta aqui: os dois queixos têm histórico, só que o do polonês tem seis marcas e o do austríaco tem duas.
Perfil de Habilidades
Rakić
vs
Tybura
Striking em Distância
+3 Rakić
Rakić trabalha o jab e o low kick na ponta e produz 4,13 golpes significativos por minuto com 50% de precisão, contra 3,56 a 48% do polonês.
Striking em Curta Distância
+1 Tybura
No corpo a corpo junto à grade o Tybura é mais experiente e mais pesado, e foi exatamente ali que ele tirou decisão de Rothwell, Romanov, Ivanov e Parkin.
Poder de Nocaute
+4 Rakić
9 nocautes em 14 vitórias e 0,51 knockdown por 15 minutos, contra 0,06 do Tybura, que praticamente não balança ninguém.
Defesa de Striking
Equilibrado
Empate esquisito: o polonês defende mais (55% contra 51%), mas absorve mais por minuto (3,26 contra 2,86). Os dois são acertáveis, cada um do seu jeito.
Grappling e Clinch
+2 Tybura
Faixa-preta de jiu-jitsu, ex-campeão do M-1, sete finalizações e 1,30 queda por 15 minutos. A ressalva é que o Rakić defende 86% das quedas no ufc.com, e que a precisão de queda do polonês muda demais conforme a fonte, 16% no ufc.com e 33% no UFCStats.
Cardio (3 rounds)
+1 Tybura
O Tybura tem 11:01 de tempo médio, 24 lutas de UFC e já fez cinco rounds com Werdum. O Rakić tem 10:41 e seis anos a menos, mas chega pela primeira vez sem corte de peso.
O Tybura só ganha essa luta em um lugar, o chão e a grade, e é justamente onde o Rakić tem o melhor número da carreira dele. Em pé, a diferença de impacto é grande demais para o polonês compensar no volume, ainda mais em três rounds. A pergunta não é quem sabe mais lutar, é se o corpo novo do austríaco aguenta quinze minutos de peso pesado sem cobrar a conta.
Previsao Final
A Tese
A tese é: Aleksandar Rakić vence porque o único caminho seguro do Tybura passa pela grade e pelo chão, e ali ele esbarra nos 86% de defesa de quedas que o ufc.com registra, o melhor atributo da carreira do austríaco; porque o Tybura chega aos 40 anos com seis derrotas por golpe, três delas em paradas de primeiro round em menos de 2:05, com Sakai, Aspinall e Delija acertando limpo em campo aberto logo cedo, e as outras três em paradas de segundo e terceiro round contra Abdurakhimov, Lewis e Puetz, o que estica a janela de finalização pelos quinze minutos inteiros; e porque o Rakić chega pela primeira vez em vinte lutas sem o corte para os 205 libras que o esvaziava, com 0,51 knockdown por 15 minutos contra 0,06 do polonês, e com Belgrado inteira do lado dele numa noite que ele mesmo fez questão de estar.
A tese é: Aleksandar Rakić vence porque o único caminho seguro do Tybura passa pela grade e pelo chão, e ali ele esbarra nos 86% de defesa de quedas que o ufc.com registra, o melhor atributo da carreira do austríaco; porque o Tybura chega aos 40 anos com seis derrotas por golpe, três delas em paradas de primeiro round em menos de 2:05, com Sakai, Aspinall e Delija acertando limpo em campo aberto logo cedo, e as outras três em paradas de segundo e terceiro round contra Abdurakhimov, Lewis e Puetz, o que estica a janela de finalização pelos quinze minutos inteiros; e porque o Rakić chega pela primeira vez em vinte lutas sem o corte para os 205 libras que o esvaziava, com 0,51 knockdown por 15 minutos contra 0,06 do polonês, e com Belgrado inteira do lado dele numa noite que ele mesmo fez questão de estar.
O caminho pra isso é o Rakić controlar a ponta no jab e no low kick, aguentar as tentativas de clinch na grade nos primeiros cinco minutos e deixar a mão de trás aparecer quando o polonês começar a arrastar o pé no segundo round.
Isso desmorona se o Tybura encostar o Rakić na grade e transformar a luta em quinze minutos de corpo a corpo, ou se o peso novo cobrar do austríaco exatamente aquilo que ele foi buscar ao subir de categoria.
Conviccao
Convicção 5, e não mais que isso. A tese se apoia em cinco dimensões distintas: a estatística (86% de defesa de quedas do Rakić no ufc.com, mais 0,51 de knockdown contra 0,06), o nível de oposição (o austríaco perdeu para três homens que já tiveram o cinturão do meio-pesado e para o Murzakanov, invicto até aquela noite, enquanto o polonês é 0-3 contra top 5 na carreira e a derrota mais recente dele foi para um estreante de UFC com duas semanas de aviso), o estilo (o único caminho vencedor do Tybura bate de frente com o melhor atributo do adversário, e o padrão de derrota dele é exatamente o que o Rakić faz), o físico (34 anos contra 40, envergadura igual e o austríaco sem corte de peso pela primeira vez em vinte lutas) e a leitura qualitativa (Rakić aceitou essa luta depois de o Islam Makhachev mandar uma mensagem de voz pública pedindo que ele estivesse no primeiro card do UFC na Sérvia, e vem repetindo na imprensa sérvia que Belgrado é um recomeço e que quer devolver o Rakić antigo ao octógono). A sexta dimensão, o momento, aponta com força para o outro lado: ele não vence há cinco anos e não nocauteia ninguém há sete. E não é leitura de mercado, porque o mercado está do lado contrário do meu número: a linha cobra 79% e a minha leitura é 60%. O que impede o 6 são duas coisas honestas que não somem com prosa: ninguém sabe como esse corpo responde ao peso novo, e a precisão de queda do Tybura, que era o número mais citado dessa análise, muda de 16% para 33% conforme a fonte, o que deixa a porta do polonês mais aberta do que a leitura original sugeria. O que sustenta o lado do Rakić não é mais aquele número, é a defesa de quedas dele, e essa vem de uma base só, o ufc.com, porque o UFCStats estava fora do ar na apuração. Pilar firme, sem segunda confirmação.
O Que Derruba Essa Pick
- 01
Se o Tybura encostar o Rakić na grade e segurar ali por dois minutos ainda no primeiro round, os 86% de defesa de quedas perdem o sentido: aquele número foi construído contra meio-pesados, não contra 116 quilos de faixa-preta de jiu-jitsu empurrando.
- 02
Se o Rakić entrar como entrou contra o Murzakanov, confiando na distância com a mão baixa, o queixo dele já falhou duas vezes de forma legítima nas últimas cinco lutas e o polonês ainda acerta 48% do que joga.
- 03
Se o peso novo cobrar a conta, e esse é o cenário mais subestimado: é o primeiro campo de treinamento da carreira dele sem corte, e ninguém viu esse corpo lutando num terceiro round.
- 04
Se a luta virar disputa de volume, o histórico é ruim para o austríaco: ele cedeu rounds na inatividade contra Ankalaev e contra Oezdemir, e o Tybura vive exatamente de empilhar minutinho.
Caminho do Azarao
Tybura aceita perder os primeiros três minutos. Não troca na ponta, entra de cabeça baixa atrás do corpo a corpo, encosta o Rakić na grade e trabalha o bodylock em vez de tentar a queda no espaço aberto, que é onde a defesa do Rakić funciona melhor. Ele nem precisa completar as quedas: precisa que o austríaco sustente 116 quilos por dois minutos em cada round. A partir do meio do segundo, o homem que nunca lutou nessa categoria começa a respirar diferente e o volume cai. Aí o polonês ou leva os cartões no acúmulo e no tempo de domínio, como fez com Romanov e Rothwell, ou acha a queda em cima de alguém cansado e resolve no chão, como fez com o Tuivasa.
Condicoes Necessarias
- Atravessar os primeiros cinco minutos sem levar a mão de trás limpa, que é quando o Rakić está mais fresco e mais perigoso
- Encostar o Rakić na grade e insistir no bodylock em vez de tentar a queda em campo aberto, que é exatamente onde os 86% de defesa do austríaco foram construídos
- Fazer o austríaco carregar o peso novo em ritmo alto, forçando levantada atrás de levantada até o fôlego virar o assunto
- Chegar ao terceiro round com a luta empatada, porque é ali que a estreia de categoria do Rakić vira dúvida de verdade
— Precedente: Tybura vs Tai Tuivasa (março de 2024, luta principal): o australiano, um dos batedores mais pesados da divisão, veio pra cima desde o gongo. O Tybura aguentou o começo, encurtou a distância, levou pro chão e finalizou com mata-leão aos 4:08 do primeiro round. É exatamente o roteiro que ele precisa aqui, e é recente. Some a isso as decisões que ele tirou de Alexandr Romanov em 2022 e de Ben Rothwell em 2020, homens maiores, no puro desgaste.
Veredito
Vencedor
Aleksandar Rakić
Metodo
Nocaute Técnico
Mais Provaveis
- 01
Método
Rakić por KO/TKO
Rakić por nocaute porque 6 das 11 derrotas do Tybura vieram por golpe, 55%, três delas em paradas de primeiro round em menos de 2:05, a mais recente contra o Delija em setembro, e as outras três em paradas de segundo e terceiro round contra Abdurakhimov, Lewis e Puetz. A janela vale os quinze minutos, não só os dois primeiros. O mercado paga bem no método porque ninguém confia num cara que não nocauteia desde 2019, e é aí que sobra vantagem. Desmorona se o polonês encostar na grade cedo e nunca aceitar a troca na ponta.
- 02
Como termina (qualquer lutador)
A luta não vai à decisão
Não vai aos cartões porque em três rounds um dos dois é acertado: o Tybura foi parado por golpe seis vezes e o Rakić duas vezes de forma legítima nas últimas cinco lutas. Os dois entram com defesa de golpes em torno de 50%. Desmorona se virar corpo a corpo na grade do começo ao fim, cenário em que o polonês administra quinze minutos sem sustos.
- 03
Vencedor azarão
Marcin Tybura
Tybura como aposta pequena e contrária porque o preço embute 25,6% e eu enxergo 37%. O mercado está cobrando o cartel de 0-4 do Rakić mas não está cobrando nada pela estreia de categoria dele, que é a variável mais desconhecida da noite. E o caminho do polonês é concreto e recente: é o do Tuivasa. Desmorona no primeiro momento em que ele ficar parado na ponta com a mão baixa.
- 04
Aposta a evitar
Aleksandar Rakić
É a leitura correta com o preço errado. Eu dou 60% para o Rakić e a linha cobra 79%, então não sobra vantagem nenhuma, ainda mais depois de a linha engordar desde a abertura. Quem quiser ficar do lado dele deveria ir pelo método. Só faz sentido como perna de múltipla, e mesmo assim com stake curto.
O Mais Provavel
Rakić por KO/TKO, stake moderado
É onde o preço e a leitura se encontram. A vulnerabilidade do Tybura tem endereço, 55% das derrotas dele vieram por golpe, três em paradas de primeiro round em menos de 2:05 e outras três no segundo ou no terceiro, e o Rakić tem 9 nocautes em 14 vitórias com oito vezes mais knockdown que o polonês. Convicção 5 significa não aumentar a mão: são dois lutadores em queda, e o corpo novo do austríaco é uma variável que ninguém testou.
Stats Que Importam
86%
de defesa de quedas do Rakić no ufc.com, o melhor atributo da carreira dele
O caminho mais seguro do polonês esbarra no melhor atributo do austríaco. A ressalva é que esses 86% foram construídos nos 205 libras
0,06
knockdowns por 15 minutos do Tybura em 24 lutas de UFC
O Rakić tem 0,51, oito vezes mais. Em três rounds isso é a diferença entre ameaçar e só acumular
5 anos
desde a última vitória do Rakić, sobre Thiago Santos em março de 2021
E sete desde o último nocaute dele, no Jimi Manuwa. É a ressalva que segura a convicção em 5
Armadilha
Rakić no moneyline
O mercado está cobrando 79% de chance de um homem que perdeu quatro seguidas, não vence desde março de 2021, não nocauteia ninguém desde junho de 2019 e vai lutar pela primeira vez na vida numa categoria nova. Esse preço está comprando a lembrança do Rakić de 2020 mais o barulho da torcida de Belgrado, e a linha só engordou desde a abertura. A leitura de vencedor continua sendo dele, mas pagar isso no moneyline é exatamente onde o público perde dinheiro nessa luta. O valor está no método, não na linha.
O mercado está cobrando 79% de chance de um homem que perdeu quatro seguidas, não vence desde março de 2021, não nocauteia ninguém desde junho de 2019 e vai lutar pela primeira vez na vida numa categoria nova. Esse preço está comprando a lembrança do Rakić de 2020 mais o barulho da torcida de Belgrado, e a linha só engordou desde a abertura. A leitura de vencedor continua sendo dele, mas pagar isso no moneyline é exatamente onde o público perde dinheiro nessa luta. O valor está no método, não na linha.
COLISEUM - Analise estatistica e tatica. Dados baseados em ufcstats.com e fontes publicas.
Aleksandar "Rocket" Rakić vs Marcin "Tybur" Tybura | UFC Fight Night: Medić vs Rodriguez | 1 de Agosto, 2026 | Belgrade Arena, Belgrado, Sérvia
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